quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

4- Diante do Rei dos Reis.

Aquelas palavras foram afáveis para Natasha, afinal de contas, ela encontrou alguém que a compreendia, não bastava o viajante ter salvo a sua vida, ele também era tão compreensivo. A noite chegará e ainda tinha muita estrada, mas como Natasha conseguiria dormir após ter tido um dia com tantas surpresas, ela de fato estava encantada com aquele homem, apesar dos inúmeros pensamentos a respeito do viajante o cansaço a venceu e Natasha conseguiu dormir, e como em um segundo, amanheceu.
Ainda faltam dois dias para chegar ao vilarejo mais perto, algumas coisas preocupam o viajante, como por exemplo a comida para os animais, a periculosidade da mercadoria e também a comida para si próprio. O viajante estava preparado para apenas uma pessoa e um animal, com o resgate de Natasha, a suas provisões foram reduzidas pela metade.
Fonte - http://einmalistkeinmal.blogspot.com.br/
O inverno estava cada vez mais rigoroso, o ar cada vez mais seco, essas condições são ruins para os animais que estavam fazendo esforço puxando a carroça, no meio do caminho foi necessário usar o cavalo de Natasha, para continuar o trajeto, uma vez que esse já estava mais descansado.

A viagem foi silenciosa, devido ao frio Natasha ficou o tempo todo dentro da carroça, só saiu para ajudar com os cavalos, o dia estava sendo muito difícil e o viajante parecia muito estressado e para piorar a situação, começou a ventar. Com a tempestade o viajante precisou parar um pouco mais cedo do que o previsto, dessa vez ele usou a tenda para cobrir os animais, foi necessário retirar algumas coisas de dentro da carroça para abrir mais espaço para que ele também pudesse se abrigar, naquela noite não foi possível comer uma sopa, pois não tinha como e onde acender uma fogueira, ambos comeram os restos da sopa de ontem, fria mesmo.

Com fome e com frio, como sobreviver a noite, bem todo viajante sempre anda com uma garrafa de vinho para se esquentar ou fazer companhia, só que naquela noite ele tinha mais do que uma garrafa de vinho para acompanhá-lo.



terça-feira, 27 de outubro de 2015

3 - Diante do Rei dos Reis

O corpo de Natasha não estava muito longe da rota principal, sorte dela, pois caso contrário provavelmente ela morreria naquele lugar, afinal as pessoas quando viajam no inverno sempre ficam na rota principal, como Natasha era inexperiente em viagens com certeza nem passou pela sua cabeça tal cuidado.
Ao abrir os olhos a primeira imagem que Natasha viu foi a do seu cavalo amarrado na carroça, ela respirou então aliviada. Após perceber onde estava a mesma tentava visualizar a pessoa no qual estava conduzindo a carroça, o viajante. Ela então segue para parte da frente ao lado do viajante para agradecê-lo por ter salvo a sua vida, o viajante por sua vez demonstra está muito preocupado e pede para que a mesma retorne ao interior da carroça e se mantenha agasalhada. Logo, logo eles parariam e poderiam conversar com mais calma.
O viajante era um homem muito bem afeiçoado e de bom porte, trafegava por aquela rota por muitos e muitos anos, mas naquele ano especificamente ele estava atrasado em algumas das suas entregas. Por mais atrasado que estivesse o mesmo não iria cometer a loucura de ficar a noite viajando, pois durante a noite o frio era mais intenso, então o viajante parou em uma ruína que aparentava ter sido uma casa, para poder passar a noite e alimentar os cavalos.
-Tem alguns legumes e carne nessas caixas, prepare a comida, disse ele.

 Ela prontamente pegou as caixas para preparar a refeição, enquanto o viajante cuidava dos animas e estendia a tenda que os abrigaria durante a noite.
Cavalos alimentados, tenda arrumada, hora de comer. Natasha com certeza não era boa cozinheira, mas qualquer coisa quente naquele inverno era um manjar! O viajante era um homem calado, de modo que Natasha não sabia como iniciar uma conversa, ela o olhava meio de lado pensando, tentando entender quem era aquele homem, admirava os seus traços, a cor do seus olhos, em fim ela o observava.
Então o viajante interrompeu o silêncio, queria saber porque Natasha se encontrava caída naquele estado na estrada, no inverno e sozinha. Ela abaixou a cabeça envergonhada  respondeu todas as perguntas do viajante.
Natasha estava pronta para ouvir um esporro, um puxão de orelhas, mas não, ao invés disso:
-Ah eu também sai da minha cidade natal, percebi que lá não era o meu lugar.